Luisa Mendes de Chaves casada com Duarte Garcia de Bivar (II)

Luisa Mendes de Chaves, n. em Lisboa, na freguesia da Sé, tendo falecido em Lisboa, freguesia do Socorro, em 28.11.1712. Era fª de Luis Mendes de Chaves, licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, advogado, rico mercador e armador, e de s/mer e prima Justa Mendes de Sousa, ambos naturais de Penamacor; neta paterna de António Rodrigues de Chaves e de s/mer Justa Mendes; bisneta paterna de Luis Mendes de Chaves e de s/mer Maria Lopes; neta materna de Martim Vaz Botelho e de s/mer Madalena Pais; bisneta materna de Manuel Nunes de Chaves e de s/mer Catarina Cardoso.
Luisa Mendes de Chaves teve 3 irmãos, António, médico, Diogo, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, e Simão, contratadores de rendas reais,estanqueiros do tabaco e gestores de negócios, estando estabelecidos na Rua de Mata Porcos, em Lisboa e residindo na freguesia da Sé.
Na sequência da aplicação do Decreto de 22.6.1671, que determinava a expulsão do Reino de todas as pessoas ligadas ao "crime de judaísmo", incluindo os seus descendentes, o Santo Ofício fez recair toda a sua sanha sobre os mais abastados mercadores de Lisboa com fama de "cristã-novice", entre os quais se encontrava Diogo de Chaves, que, não obstante ser Cavaleiro de Cristo, foi preso (29.7.1672). Durante todo o tempo do seu cativeiro, apesar das pressões exercidas da maneira mais ignóbil, negou sempre as acusações de judaizante, invocando ter sido baptizado na Igreja da Madalena de Lisboa, sendo padrinho o Desembargador Gaspar Cardoso de Almeida, e crismado pelo Bispo de Targa, D. Francisco de Sottomayor, sendo padrinho Jorge Cabral, boticário. Atribuiu a sua injusta situação a falsos testemunhos  e inimizades, tendo estado a sua defesa judicial a cargo dos advogados Francisco Soares Nogueira e Pedro Calado de Araujo. Em 2.1. 1675, Diogo de Chaves não resistiu às agruras do cárcere e morreu de "uma pontada que lhe sobreviera à larga doença que padecia". Seu irmão Simão acabaria por ter o mesmo destino, falecendo "de uma ferida" na prisão. Por acordão do Tribunal da Inquisição, tornado público em auto celebrado, no Terreiro do Paço, em 10. 5. 1682, com a presença do Regente D. Pedro, foram ilibados das acusações que sobre eles penderam e mandado restituir os bens aos seus herdeiros. Tudo consta dos Processos n.os 4426 (Diogo) e 1775, 2841 e 9792 (Simão), Tribunal da Inquisição de Lisboa-Torre do Tombo.
Como nota curiosa, acrescento que Diogo e Simão de Chaves eram os agentes de negócios na Europa do Vice-Rei Conde de Lavradio D. Luis de Mendoça, Sr. da Quinta e Morgado da Bacalhoa e de seu irmão e presuntivo herdeiro, o nosso  avoengo Jerónimo de Mendoça. A esta circunstância não deve ser estranho o facto de um sobrinho destes Chaves, Gaspar Garcia de Bivar ter  casado com a bisneta e representante de Jerónimo de Mendoça, Joana de Albuquerque de Mendoça e Silva.
Parte substancial da herança de Diogo e Simão de Chaves, casados mas sem geração, reverteu a favor de sua irmã Luisa. Além da quinta das Laranjeiras e de casas nobres a Santo Eloy, com todo o seu mobiliário, a herança incluia joias, várias pratas brasonadas e ainda padrões de juros, rendimentos do estanco do tabaco e vários créditos por gestão de negócios ou por empréstimos, entre os quais se contavam os concedidos ao I Duque de Cadaval (450.000 cruzados); ao II Conde de São Lourenço (140.000 cruzados); ao Conde de Lavradio e a seu irmão Jerónimo de Mendoça (4.000 cruzados).
Luisa Mendes de Chaves casou, em 20.5.1657, na freguesia de Santa Justa, em Lisboa, com Duarte Garciua de Bivar (1624-1677), I Senhor do Morgado de São João Baptista (Sta Mónica), instituido por seu pai em 20.11.1620, Senhor da Quinta de Monte Coxo, em Chelas, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, um dos 5 Ministros da Junta da Administração do Tabaco, presidida pelo I Duque de Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira de Melo. Foi sucessor do casal Luis Garcia de Bivar, II Sr. da Casa Bivar, Presidente da Junta da Administração do Tabaco (durante 28 anos, tendo sucedido a D. António Luis de Sousa, II Marquês das Minas e IV Conde do Prado), Deputado de Capa e Espada da Junta do Comercio Geral, com geração nos Bivar Weinholtz.

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