CRISE DE IDENTIDADE


Numa época em que a vida corre a um ritmo vertiginoso e em que os valores deixaram de ser referência moral para, sujeitos a crescentes reformulações e interpretações, se adaptarem às circunstâncias e conveniências de cada momento, pouco espaço e tempo haverá para dedicar ao que se convencionou chamar a “Memória da Nação”.
Este verdadeiro “lapso de memória, deixou há muito de ter natureza conjuntural, para se tornar num sério fenómeno estrutural, que afecta o Homem Português na sua própria identidade e na ideia que faz do seu país.
Face à globalização que caracteriza os nossos dias, não somos os únicos a debatermo-nos com o problema, mas somos, certamente, na Europa, dos que mais têm a perder com a situação.
Com efeito, no mundo actual, a importância de um país pauta-se pelo seu potencial económico ou geo-político ou ainda pela habilidade política em fazer valer, na oportunidade, o pêso da sua experiência e protagonismos históricos. Países de pequenas dimensões, com poucos recursos à partida, souberam, ao longo da História, firmar com sucesso a sua posição no concerto das nações. Qualquer holandês, conhece o passado do seu país tão bem como a estratégia nacional que o conduzirá ao Futuro.

No nosso caso, há claramente uma crise de identidade. Os portugueses não se identificam com Portugal, entendido este como entidade histórica, cultural e política, integrada pelos portugueses de todas as épocas, mas sobrepondo-se a eles, ultrapassando o momento histórico, mas retendo o essecial e perene, em permanente evolução institucional.
Portugal para os portugueses de hoje, não passa do enquadramento geográfico onde decorre a vida de todos os dias ou do conjunto dos orgãos e organismos que representam o Estado.
Julgamos que assumir-se como português, hoje mais do que nunca, deveria significar, em primeiro lugar, conhecer a História de Portugal, sobretudo o contributo que os nossos antepassados, mais ou menos ilustres, deram para que a Europa e o Mundo sejam o que são hoje e deveria significar, em segundo lugar, estar informado com segurança e clareza sobre o presente, para ir enfrentando o futuro, que afinal ocorre todos os dias...

(in Nota Prévia ao livro “Manoel de Portugal. Notas Históricas e Genealógicas”, de Luis de Bivar-Weinholtz de Azevedo, Lisboa, 1997)

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